A Indústria de Games no Brasil: 1ª Parte

Na quinta passada (28/07) tive a grande oportunidade de participar de um workshop no BNDES chamado Economia Criativa: Indústria de Jogos. O evento teve a presença de fabricantes de consoles, desenvolvedores de jogos, distribuidores, entidades de classe, universidades, centros de pesquisa, agentes financiadores. Foi muitíssimo interessante, quem curte game não pode deixar de ler!!

Para que todos entendam, esse evento foi fechado, com um número limitadíssimo de participantes, por isso não teve quase nenhuma divulgação. Então você está se perguntando: “como é que você foi então?”. Eu fui porque sou estagiário no BNDES, e como o evento aconteceu no prédio do BNDES no Rio de Janeiro, existiam vagas para funcionários e felizmente consegui meu lugarzinho no evento.

Quando cheguei, senti que o clima era sério, estavam presentes presidentes de várias produtoras e distribuidoras de games, além de personalidades importantíssimas no cenário nacional da indústria de jogos, um representante do Ministério da Comunicação e uma série de especialistas na área.

Dividi em várias partes pois a quantidade de conteúdo é enorme e ficaria muito cansativo para mim e para vocês.

Abertura:

Fred Vasconcelos

A abertura do evento foi feita pelo presidente da ABRA Games, Fred Vasconcelos, que também é CEO da Joy Street e chairman da Jynx Playware. Ele iniciou pontuando o crescimento do mercado de games no Brasil, hoje somos o 4º maior mercado consumidor de games do mundo. Ele também comentou que o mercado de games no Brasil é muito desarticulado com o Governo, e que se tivesse ajuda governamental conseguiríamos um crescimento exponencial no mercado mundial.

Para explicitar o poder e a importância que o mercado de games tem para a economia, Fred apresentou alguns gráficos com resultados da indústria mundial de games através dos anos, para se ter uma idéia, em 2004 o mercado de games arrecadou 10,3 bilhões de dólares, já a previsão para esse ano é de 65 bilhões. Ele também apresentou uma previsão para 2015, onde está previsto um total de 70 bilhões de doletas.

E para frisar ainda mais a potência desse mercado ele deu o exemplo do jogo Call of Duty: Black Ops, que vendeu 3,2 milhões de cópias, superando o arrecadamento da bilheteria de Avatar.

Depois dessas informações ele se focou em falar da indústria brasileira, que ano passado arrecadou 425 milhões, sendo um número ridículo comparado aos outros países grandes produtores de games.

Fred falou das oportunidades para o Brasil nessa indústria, como por exemplo, o Facebook, que têm grande quantidade de usuários, a produção de jogos sérios (treinamento, educação e advergames) e deu foco a “gameficação”, que nada mais é, usar a inspiração e mecânicas de games para deixar as obrigações do dia-a–dia mais fluidas e mais lúdicas.

O que me deixou mais interessado foi sua fala sobre a problemática dessa indústria no Brasil. Onde não existe política de incentivo econômica do governo, carga tributária abusiva sobre os jogos, pirataria, enorme burocracia para surgimento de novas empresas, abdução de profissionais para o mercado externo (para se ter uma idéia uma das desenvolvedoras de Angry Birds é brasileira e se formou aqui). E deu grande enfoque na fiscalização e certificação brasileira, que é muito lenta, e assim acabam sendo uma barreira para a industria, sendo necessária a criação de agências especializadas nesse serviço como nos EUA e no Japão.

ACI Games.

Moacyr Alves

A parte destinada a ACI Games foi apresentada pelo presidente Moacyr Alves, onde ele explicou o papel da associação, além de apresentar projetos e discutir a problemática brasileira para a indústria. Para quem não sabe, a ACI Games é a Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games, que tem como premissa: “A ACIGAMES é uma associação criada com a finalidade de representar e regulamentar a indústria e comércio dos jogos eletrônicos e incentivar culturalmente a área dos games no Brasil”. Obs: Para mais informações: VISITE.

Moacyr começou pontuando o grande potencial que o Brasil tem na indústria, pois na América Latina é um dos maiores vendedores de consoles ficando atrás somente do México, mas sendo o maior consumidor de PS3 do continente latino americano.

Após isso ele apresentou uma solução governamental para solucionar o problema da indústria de jogos brasileira. E para apresentar essa solução ele usou como exemplo a Espanha, que após uma queda vertiginosa de seu mercado, adotou a medida de tornar o Vídeo Game uma arte, assim reduziu muito as cargas tributárias da indústria, fazendo com que a mesma se restabelecesse. Assim a solução seria o Brasil tomar a mesma medida que a Espanha.

Agora a parte mais legal foi quando ele falou da iniciativa Jogo Justo, muitos de vocês já devem ter ouvido falar. A iniciativa consiste
em vender em um dia, jogos de vídeo game cobrando somente o imposto. O objetivo do Jogo Justo é somente provar por números o potencial absurdo que a indústria de games brasileira têm. Vários distribuidores de jogos aderiram à iniciativa. Foi um sucesso, no primeiro dia que aconteceu o Jogo Justo foram vendidos 5.500 jogos (Castelvania, PES 2011, Assassin’s Creed II) que acabaram em 3 minutos. Já na segunda vez que aconteceu, a iniciativa contou com 51 empresas em 15 estados brasileiros. Foram vendidos 58 mil jogos com uma média de 10 jogos vendidos por segundo. Para se ter uma idéia o Walmart teve nesse dia 800 mil acessos por segundo, dos 14 servidores que eles prepararam 10 caíram!

Para finalizar ele comentou que em vários países o Brasil está sendo visto como um grande candidato a ser a El Dorado dos vídeo games. Tanto que a industria já está contando com apoios internacionais do Canadá, Coréia e Espanha. E fechou sua fala com a seguinte frase: “Estamos lutando por uma Ana Maria, mas podemos fazer um bolo danado!”

Para mais informações sobre o Jogo Justo é só CLICAR.

É isso ai galera, daqui a pouco vou postar a segunda parte para vocês, espero que tenham gostado.

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About ClaudioCollaço

Carioca, 23 anos, estudante de publicidade da UFRJ e apaixonado por Playstation, grande fã de Final Fantasy e recém admirador de jogos de ação!

Posted on 3 de August de 2011, in Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 Comments.

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